Entrevista - Sha Money XL (Agosto de 2007)

ImageEmbora 50 Cent fique com todo o crédito, Sha Money XL tem sido um instrumento fundamental na construção da marca G-Unit. O nativo do Queens despontou nos anos 90 como DJ local e produtor. Sua carreira deslanchou em 1996, quando fez um estágio na Def Jam Records. Durante os dois anos que passou na histórica gravadora, Sha se tornou amigo de Jam Master Jay, que o apresentou a um rapper do Queens chamado 50 Cent. Sha e 50 imediatamente se tornaram grandes amigos, amizade que acabou se solidificando quando 50 saiu da Columbia Records em 2000, fazendo com que eles criassem a G-Unit. Operando como promotor da marca, tesoureiro, produtor de mixtapes e empresário de 50, Sha foi eventualmente nomeado presidente da G-Unit Records, quando Curtis assinou o histórico contrato com a Shady/Aftermath em 2002. Contribuindo com batidas em todos os lançamentos subseqüentes, Sha não se firmou apenas como um brilhante homem de negócios, mas também como um talentoso produtor, produzindo faixas como “Poor Lil Rich” de 50 Cent e co-produzindo outras como “Do It Like Me” de Young Buck e “Put ’Em In Their Place” do Mobb Deep. Contudo, após os decepcionantes lançamentos de 2006, (Lloyd Banks vendeu apenas 335.000 cópias do álbum Rotten Apple) e o álbum de estréia do Mobb Deep pela G-Unit, (Blood Money, que vendeu apenas 271.000 cópias), 50 Cent anunciou uma reunião em Janeiro de 2007 anunciando mudanças em sua equipe. Como resultado, Sha Money e 50 concordaram em reorganizar a companhia, com Sha deixando o cargo de presidente da G-Unit para se dedicar ao seu Money Management Group. Formado em 2002, a companhia gerencia a maior parte dos artistas da G-Unit, além de um vasto time de beat-makers,incluindo Jake One, Chris Styles e Nick Speed. Na entrevista a seguir, Sha Money XL fala sobre G-Unit, seu Money Management Group e sobre o aguardado álbum de 50 Cent, “Curtis.”

 

Desde que você não é mais presidente da G-Unit, qual tem sido seu papel na equipe?

 

Eu e o 50 sentamos e conversamos. Decidimos que musicalmente, continuarei contribuindo com a G-Unit, mas nós quisemos expandir nossos negócios e nos colocarmos em novos caminhos. Então ao invés de ficar no escritório todo dia, estarei andando por lugares como Los Angeles, Seattle e Nova York, ou qualquer outro lugar onde eu precise estar para fazer novos acordos e trazer coisas novas para a mesa. Mas continuo empresariando Lloyd Banks e Young Buck.

 

Inicialmente, expeculava-se que 50 teria o expulsado. Existia algum clima de tensão entre vocês dois?

 

Não, foi uma decisão conjunta e não ocorreu nenhum conflito. Eu estava com 50 ontem, então está tudo em cima. Continuamos fazendo negócios. Apenas expandi minhas asas e enfrentei novos desafios na carreira. Estou fazendo novos acordos sozinho e para qualquer artista que gerencio.

 

Na edição de Agosto da XXL, 50 disse que teve uma reunião com a G-Unit no começo do ano, e que ficou decidido que a partir daquele momento vocês teriam que se virar sozinhos. Qual impacto que essa reunião causou no grupo?

 

Pelos primeiros 6 meses foi como andar de skate pela primeira vez para algumas pessoas que estavam acostumadas com 50 sendo um líder e a G-Unit sendo uma família. Mas ao mesmo tempo foi uma benção, eu não fiquei chateado com o 50 por ele ter feito isso. Provavelmente ele poderia ter encontrado uma forma melhor de tomar esta decisão, mas o resultado final seria o mesmo. Eu não posso falar pelos outros artistas, como M.O.P. e o Mobb Deep, mas isso definitivamente me ajudou e acho que perceberemos mudanças nos outros também. 50 tirou o peso das costas e eles começarão a se preocupar com suas próprias carreiras. Ele está se preparando para fazer filmes com Al Pacino e Nicolas Cage. Ele vai dar um tempo pra fazer suas coisas e ganhar o dinheiro dele. 50 deu aos caras da G-Unit o impulso que eles precisavam.

 

Algumas pessoas acham que os álbuns Blood Money do Mobb Deep e Rotten Apple do Lloyd Banks fracassaram por não terem ganho platina ou ouro. Como você se sente sobre estes projetos?

 

As pessoas estão esperando para nos ver por baixo, mas como o provérbio diz, primeiro te amam, depois te odeiam, e então voltam a te amar. Banks sentiu o gosto desse ódio com o álbum Rotten Apple e o Mobb Deep com o Blood Money. Nós temos que lembrar que o Mobb Deep está aí a 10 anos. Estes caras são veteranos, mas estão lidando com uma nova geração de fãs. Eu acho que o Mobb Deep fez um álbum incrível. Ninguém pode com o Havoc nas batidas mano.

 

Devido ao atual estado da indústria, quanto você acha que 50 Cent irá vender com seu álbum Curtis?

 

Eu acredito que não venderá novamente um milhão na semana de lançamento. Creio que venderá cerca de 600.000 ou 700.000. Mas 50 tem o necessário para entreter e excitar as pessoas, então acho que ele é definitivamente capaz disso. O novo álbum está incrível.

 

Qual seu envolvimento no álbum?

Minha companhia de produção fez cinco faixas no álbum. O Money Management Group está na pista e vamos tomar outros álbuns de assalto. Estou trabalhando no Hi-Teknology 3 do Hi-Tek e trabalhamos no novo álbum do 2Pac, Nu-Mixx Klazzics, Vol. 2. Além disso, temos novas faixas no álbum de Talib Kweli e estamos trabalhando com artistas da Cashville Records de Young Buck, como C-Bo e os Outlawz.

 

A G-Unit sempre trabalhou com novos produtores ao invés de recrutar grandes nomes da indústria. Você teve parte nisso?

 

Eu sou produtor, então sei a luta que os outros produtores enfrentam para terem seus trabalhos tocados. É duro! As pessoas não olham pra esses caras que ainda não tem um nome. Muitas vezes estes desconhecidos são melhores que alguns com quem trabalhei e que já tem um nome. Não importa o tempo que você está criando batidas, o que importa é o quão talentoso você é. Eu ouço tudo que recebo e passo pro 50, pro Banks e pro Buck. Se eles ouvirem algo que gostem, entramos em contato com este produtor e damos uma oportunidade para que ele entre na indústria e construa uma carreira. As pessoas continuam dizendo que o hip-hop está morto, mas ele morrerá mesmo se não trouxermos novos talentos, permitindo desta forma, que a música evolua.

 

 

 

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