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Ele não tem contrato com gravadora e seu único CD não é oficial. Mesmo sem propaganda ou divulgação, os discos gravados pelo rapper Emicida em sua casa no bairro do Tucuruvi (na zona norte de São Paulo) podem ser encontrados em outros Estados como Paraná, Rio de Janeiro, Paraíba, Maranhão e Bahia.
Desde o dia 1º de maio, o paulistano de 23 anos vendeu três mil CDs praticamente de mão em mão. Além de receber encomendas por e-mail, Emicida distribuiu os CDs em lojas na Galeria do Rock (no centro de São Paulo), vendeu o material em eventos de hip hop e chegou a cantar em trens para divulgar o seu trabalho. O boca-a-boca que ajuda na promoção resultou até em um lote que foi para o Japão e rendeu em negociações para que o CD seja vendido na Irlanda, em Portugal e na América do Norte
O próprio artista também compra o papel, desenha o molde, corta,
carimba a capa, xeroca o encarte e grava o CD no computador. O processo
artesanal da mixtape Pra Quem Já Mordeu Um Cachorro Por Comida, Até Que
Eu Cheguei Longe custa cerca de R$ 1. O CD é vendido por R$2 ou R$5 nas
ruas e por até R$10 nas lojas. “Com isso meu lucro é de R$1, mas boa
parte das pessoas paga mais de R$2 espontaneamente. Elas falam que vale
mais e pagam até R$ 20.” O CD tem 25 músicas que o artista quis lançar
antes de colocar em seu CD final.
Para manter o valor baixo e acessível, Emicida chegou a retirar CDs de
estabelecimentos que chegaram a cobrar de R$ 15 a R$20. “Eu achei que
isso não condizia com a ideia do projeto e retirei das lojas”, diz.
“Carimbei o preço no CD e levei para outros lugares.”
Com grande procura pelo disco, o artista contará agora com a ajuda de
duas pessoas que serão responsáveis pelas vendas do CD. Além disso, o
irmão de 19 anos do rapper deixou o cargo de gerente de McDonald’s para
ajudá-lo na carreira.
O sucesso de vendas é inesperado, mas já tinha sido testado em 2007,
quando Emicida vendeu 700 cópias de um single (CD com uma música).
Apesar de não colocar suas músicas na internet, o rapper diz que não é
contra a troca de arquivos e que o mercado que alcança com as vendas
nas ruas é outro. “Quem nunca baixou um disco que jogue a primeira
pedra”, diz. “Eu vendo para pessoas que não baixam discos e as que usam
internet não baixam o meu porque não conhecem.”
O bom retorno nas ruas também fez o rapper repensar o lançamento do seu
CD oficial. “Com toda essa repercussão, vou pensar um pouco mais em
como fazer isso, deve ser algo próximo ao que aconteceu agora.” O show
de lançamento da mixtape será realizado no dia 20 de junho em São Paulo.
Para ouvir:
http://www.myspace.com/emicida
Época SP
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